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Escritor, psicólogo, jornalista e professor da Universidade Federal Fluminense. Doutor em Literatura pela PUC-Rio, Pós-Doutor em Semiologia pela Université de Paris/Sorbonne III e ignorante por conta própria. Autor de doze livros, entre eles três romances, todos publicados pela ed. Record. Site: www.felipepena.com

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Parte final do artigo publicado no jornal Rascunho


Sobre literatura

há um movimento contrário ao “status quo literário” no interior da própria crítica. O recente livro do ensaísta búlgaro Tzvetan Todorov, um dos herdeiros mais ilustres do formalismo, é um claro exemplo. Em A literatura em perigo (Difel, 2009), Todorov afirma que o principal risco que ronda a literatura é o de não participar mais da vida cultural do indivíduo, do cidadão. E isso acontece, segundo o autor, porque os escritores não se preocupam com a afetividade e o prazer do leitor, limitando-se apenas a aspirar ao elogio da crítica.
Em um mea culpa corajoso, Todorov conclui: “A história da literatura mostra bem: passa-se facilmente do formalismo ao niilismo ou vice-versa. (...) Numerosas obras contemporâneas ilustram essa concepção formalista de literatura; elas cultivam a construção engenhosa, os processos mecânicos de engendramento do texto, as simetrias, os ecos, os pequenos sinais cúmplices. (...) Para essa crítica, o universo representado no livro é auto-suficiente, sem relação com o mundo exterior.”
Outro crítico de renome, o professor Émile Faguet, titular da cadeira de Literatura Francesa na Sorbonne, também vai pelo mesmo caminho no ensaio A arte de ler (Casa da palavra, 2009), quando dá a um capítulo o título de escritores obscuros: “Esses autores desfrutam sempre de enorme reputação. Têm um bando e um sub-bando de admiradores. O bando é composto por aqueles que fingem entendê-los, o sub-bando por aqueles que não ousam dizer que não os compreenderam e que, sem os lerem, declaram que são primorosos”
Mas também há exemplos mais antigos. O irlandês C.S. Lewis, que morreu em 1963, dizia que a grande leitura não exige perícia ou força; exige, ao contrário, desarme e paixão. Lewis era um defensor do leitor leigo, “comum”, ou seja, “aquele que lê sem nada esperar, que lê simplesmente porque o livro o agarra e ele não consegue mais largá-lo”
É em busca desse leitor que vai a literatura de entretenimento. E não custa repetir: entretenimento não é passatempo, é sedução pela palavra. É um conceito ao qual se deve atribuir valor artístico e estético. É um termo que não pode ser rotulado ou tratado com preconceito. É um gênero cuja boa tecelagem está entre as mais difíceis e trabalhosas.
Tudo é linguagem, mas a narrativa é a base da literatura. Uma história bem contada é a meta que perseguimos.

4 comentários:

Karla disse...

E você o faz com maestria! Meu orgulho!

Kaká

Amanda de Andrade disse...

Muito legal o texto! Cadê a primeira parte? Tem como botar um link?

Iberê disse...

Felipe,

Voce tem razão. O prazer é a prova dos nove ! Acho que a literatura, o cinema, o teatro,etc... enfim todos meios narrativos tem a possibilidade de servirem como meio pra transmitir ideias, fazer as pessoas pensarem, criticar, mas para isso devem conseguir prender a atenção do publico.
Algumas pessoas pensam que um bom conteudo so poderá vir num texto formal, rebuscado e muitas vezes prolixo ! Ai as pessoas que querem transmitir uma ideia legal escrevem textos complicados ( associando erroneamente, bom conteudo a complexidade) ! Nada mais errado ! leio muitos blogs por ai, e esse erro começa cedo, em muitos jovens! ai o texto fica chato e o leitor perde o interesse, não acompanha o escritor e a ideia inicial que o escritor queria passar, pode até ser boa, mas nem é compreendida pelo leitor.
eu tenho escrito um blog há cerca de um ano e meio, e tenho tentado me " comunicar" atraves dele, e percebi que o humor é uma das armas mais eficientes, ate mesmo pra transmitir ideias mais criticas da sociedade! Outros aspectos como clareza, concisao, ritmo são importantes nessa tarefa. ainda nao li teu livro, mas pretendo dedicar um tempo a ele !
um abraço
Ibere
http://ibererestivo.blogspot.com

Jacinta disse...

"Stop.
A vida parou
Ou foi o automóvel" (CDA)

;)